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Projeto 365 – Dia 110 – O Último Concerto

Dizem que a arte imita a vida e, há quem defenda a possibilidade do contrário ser igualmente verdadeiro. Os dramas humanos sempre foram os mesmos e, na maioria das vezes, buscando compreensão, ego, autoafirmação, companhia, juventude, imortalidade, prazer, poder e destaque.

O filme ‘O Último Concerto’ (A Late Quartet no original), é um drama bem construído com o melhor da arte cinematográfica em que pese elenco, roteiro e, sobretudo música. Acredito ser delicado encontrar o equilíbrio quando o cinema deseja contar uma história que tenha a música como tema, pois uma arte pode ofuscar a outra em ambas se perderem. Também porque os “músicos de verdade” podem amar ou odiar a produção caso esta não se revele fiel ao modus vivendi desses artistas.

O Quarteto Fuga, formado por músicos excepcionais, está em pleno auge quando um de seus componentes, professor de um conservatório musical, recentemente viúvo (Christopher Walken), descobre estar com Parkinson e anuncia aos amigos a impossibilidade de continuar um trabalho de quase três décadas. Mais do que abrir mão de um quarteto, significa deixar de viver, pois essa doença o impedirá de tocar seu instrumento e até mesmo trabalhar.

Outro ponto difícil ao produzir esse filme foi equilibrar a força e presença dos personagens muito bem apresentados com elenco de primeira. Essa dificuldade se torna parte do enredo quando nasce entre os quatro talentosos músicos a disputa do primeiro violino, ou seja, the first chair que é ocupada desde o início por um autoritário e exímio, para não dizer obsessivo violinista fora de todos os padrões convencionais humanos – quase uma máquina de fazer música (Mark Ivanir).

Divide o palco com eles um casal formado por um homem complexado (Philip Seymour Hoffman), que nunca teve coragem de dizer o que desejava e sua esposa (Catherine Keener), que dedicou a vida ao marido, filha e ao quarteto, sacrificando algumas de suas preferências e desejos, inclusive guardando dentro de si um amor platônico menor apenas que sua veneração à música. A fórmula de sucesso no trabalho e fracasso no amor é contada através dos olhos desse casal cuja paixão não é percebida em nenhuma cena.

As referências aos gênios da música e histórias em torno de grandes obras, somadas aos dramas de cada personagem em busca da música tocada com sentimentos são a grande sensação dessa produção vencedora de dois Óscars em 2012. O filme provoca reflexão sobre a vida e o que fazemos dela uma vez que mostra o final de um trabalho que levou quatro vidas de total dedicação. Diferentes gerações se encontram dividem projetos, relacionam-se como professor e aluno, se tornam profissionais, acabam amigos de seus ídolos da juventude e, em alguns casos, repetem os mesmos erros.

Talvez a maior lição desse filme seja: Faça música com aquilo que lhe resta; noutras palavras, o show tem que continuar.

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About Jessé Odilon

One comment

  1. Back in school, I’m doing so much leaginnr.

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