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Projeto 365 – Dia 109 – Whiplash

Vale a pena procurar a perfeição?

Segundo o dicionário, perfeição é: caracterizar um ser ideal que reúne todas as qualidades e sem defeitos. Designa uma circunstância que não possa ser melhorada ainda mais e mais. Ou seja, a perfeição é impossível.

“Whiplash” trará essa discussão que tanto faz bem aos filmes e destroem suas personagens tanto dentro como fora da obra. Contando a história de Andrew Neiman (Miles Teller), um jovem baterista de Jazz que tenta entrar para uma das mais conceituadas orquestras desse gênero. Lá, encontra um maestro rigoroso e extremamente exigente, Terence Fletcher, interpretado pelo vencedor do Oscar de ator coadjuvante J. K. Simmons. Os dois protagonizarão cenas marcantes e bem intensas, aonde veremos um professor cruel ao extremo afim de extrai ao máximo o potencial de seus alunos, fazendo com que o clima de tensão sempre esteja em níveis críticos, seja nas aulas ou em apresentações.

WHIPLASH

Esse conjunto de elementos: música, tensão, perfeição, exigência, competição lembra muito a atmosfera do filme “Cisne negro”, com a diferença que nesse filme os ângulos são mais próximos das expressões dos atores, além da iluminação que ganha elementos duros de um escuro quase sombrio, apenas com sendo interrompido por lâmpadas amareladas que dão um brilho ao filme.

A música torna toda essa tensão deliciosa, aos profissionais da área ou simplesmente quem admira música, o filme soa bem aos ouvidos, os sons soltos e improvisados do jazz vão tornando tudo mais denso e atrativo, fazendo esse longa criar uma intereção com pelo menos três sentidos do espectador (visão, audição e tato), não permitindo em nenhum momento a falta de atenção.

whiplash em busca da perfeicao

A construção das personagens também agrada, Miles Teller interpreta um rapaz tímido e determinado a ir atrás do seu sonho, chegando a ter atitudes estúpidas para isso. Esse ponto em específico tira “Whiplash” do patamar de filme bom para o espetacular. Muitas discussões e diálogos serão expostos na tela e farão com que a todo momento nos questionemos: vale a pena ir atrás da perfeição? Vale a pena passar por cima de tudo e de todos para ir atrás de um sonho ou de pertencer a algo grande? E o mais interessante é que essas perguntas não são respondidas, deixando um tom de dúvida na cabeça de todos, possibilitando um auto-questionamento a quem assiste a obra.

De ponto negativo entra os pequenos exageros do filme, como as bolhas expelindo sangue a lá Tarantino ou o suor escorrendo dos pratos da bateria, algo que torna o filme um pouco menos real, escondendo que o verdadero esforço está no psicológico das pessoas, e não se propagando em características físicas de cada um.

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Porém, isso não tira o brilho do filme, que traduz muito bem o mundo dos músicos e, também, de todos os profissionais que desejam assenção em mundos competitivos, deixando em aberto que somos frutos de nossas decisões.

Antes de terminar faço duas menções honrosas. A primeira a J.K. Simmons. O ator praticamente toma a parte inicial do filme, deixando a dúvida inclusive se ele não seria o ator principal da história, algo que o roteiro corrige do meio para o fim, já que essa sensação se dá pelo trabalho brilhante do ator. E a segunda meção às músicas “Whiplash” e “Carnival”, dos músicos Hank Levy e Juan Tizol respectivamente, já que elas assumem um papel mais que principal no meio dessa bela trama.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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