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Projeto 365 – Dia 107 – Birdman

“Popularidade é o primo pobre do prestígio”

Com uma frase dessa inserida no filme, você só pode esperar um espetáculo crítico, então quanto a isso não terá surpresa, pois é exatamente o que encontrará ao assistir o favorito ao Oscar 2015. Serão feitas críticas das mais agudas até as mais diretas. Mas, pra quem não gosta, também há um belo espetáculo na tela, com atores mostrando um potencial gigantesco, e o uso de uma metalinguagem digna de se aplaudir de pé para fechar esse belo roteiro criado pelo diretor Alejandro González Iñarritu.

Logo de cara, ao observar os primeiros 5 minutos, você se surpreenderá com a câmera utilizada no filme. Com uma evolução tecnológica de plano sequecência, esse filme é infinito, ou seja, não há cortes, deixando as quase duas horas de uma maneira linear e de arrancar o fôlego do espectador, algo que por si só já coloca esse filme como algo a se observar com muito carinho. Além disso, os recursos usados para essa filmagem “não terminar” são criativos, fazendo com que a fotografia do filme ajude na diferenciação para os outros longas de herói.

birdman camera

Essa comparação com heróis inicia outra grande característica desse filme: as críticas. Serão criticadas vários elementos da nossa sociedade atual, de filmes de heróis como homem-aranha até as pessoas que fotografam e colocam tudo nas redes sociais. Mas, a crítica mais forte vão para os críticos. Fiquei super intrigado de escrever sobre esse filme, afinal, ele bate forte nas pessoas que se dizem superiores aos artistas e expoem suas opiniões em pedaços de papel que influenciarão milhares de pessoas, o que aumenta ainda mais a responsabilidade de comentar com idoneidade.

As personagens também trazem a tona algumas fraquezas e fragilidades do ser humano, muito por conta da forma como estamos levando a vida. Serão tratados assuntos delicados sobre crise existencial e de idade, exigindo o máximo dos atores em cena para transpor na história esses dois problemas que assolam grande parte da humanidade. Sobre a existência o roteiro promete nos fazer pensar o que é existir, ao melhor estilo “penso, logo existo” de René Descartes, com a modificação para os dias de hoje “posto, logo existo”. Quanto a idade, Edward Norton traduz toda a crise em uma frase, dita para a personagem de Emma Stone”: “Eu gostaria de arrancar os seus olhos e os colocaria no meu crânio, olharia em volta para ver as ruas como eu via na sua idade”, simplesmente genial…

Aí entramos nos atores, Michael Keaton, Edward Norton, Emma Stone, Zach Galifianakis, Naomi Watts, Andrea Riseborough, Jeremy Shamos, Amy Ryan e Lindsay Duncan, um mais genial que o outro, com destaque para Michael Keaton e Edward Norton, dois atores que interpretaram Batman e que criticam, com maestria diga-se de passagem, tudo que os envolveu durante anos, heróis e o mundo das artes. Zach Galifianakis, ator que ficou conhecido por “Se beber não case” está muito bem em seu papel de agente, ele carrega com si a responsabilidade de representar essa profissão tão presente nesse mundo, além de acrescentar a história com seu lado paternal, aonde parece cuidar de seu ator, mas que na verdade só quer dinheiro.

birdman elenco edward norton emma stone

Como se não bastasse tudo isso, a trilha ainda merece uma atenção, pois ela é praticamente humilhada no filme. Por vezes a música da cena, que parece construir a atmosfera, aparece num canto da filmagem com um músico tocando bateria, produzindo uma confusão no espectador. Ou então os atores simplesmente conversam com a música para que ela pare, criando uma interação divertida e diferente para o espetáculo e aproveitando para criticar as trilhas emocionais que usam em filmes de herói.

Como dá pra ver esse não é um filme normal de herói, o “Birdman” aparece como uma personagem da conciência do perturbado Riggan Thomson (Keaton), dando a ele poderes telecinéticos que, fica em aberto se existem ou não, deixando a dúvida a todo o instante, criando um roteiro complexo bem interessante ao filme.

Birdman michael keaton

Resumindo, um aplauso a decadência atual que nos encontramos, pelo menos no olhar do diretor, fornecendo vários elementos para nos fazer pensar, inclusive sobre as pessoas que estão nascendo e que já nasceram nessa época, gerando, cada vez mais, pessoas que precisam de alternativas para se desprender dessa atual realidade.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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