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Projeto 365 – 230 – Manchester À Beira-Mar

Sinopse:

Lee Chandler (Casey Affleck) é forçado a retornar para sua cidade natal com o objetivo de tomar conta de seu sobrinho adolescente após o pai (Kyle Chandler) do rapaz, seu irmão, falecer precocemente. Este retorno ficará ainda mais complicado quando Lee precisar enfrentar as razões que o fizeram ir embora e deixar sua família para trás, anos antes.

Opinião:

“As vezes quando você conta sua história para alguém desconhecido, esquece de imaginar que seu ouvinte pode ter fantasmas ainda maiores”

A frase acima não é dita no filme, mas bem que serviria. “Manchester à beira mar” não é um longa que trará longos diálogos que dê para extrair frases de efeito, sua qualidade está em outros detalhes.

O primeiro deles à chamar atenção é sua fotografia de inverno. Por mais que o longa não tenha sido contemplado com uma indicação ao Oscar nesse quesito, algo que concordo, ainda sim é poético observar que o filme se inicia à beira mar com um plano bem aberto para dar boas vindas ao expectador. Infelizmente esse ato pouco se repete; Jody Lee Lipes, diretor de fotografia, concentra seus esforços em cenas fechadas e que valorize os dramas familiares do roteiro, dando uma folga aos nossos olhos com lindos cenários da fria Manchester.

O roteiro, por sua vez, recebeu indicações ao prêmio mais esperado por todos. E assim como em “La la land” (filme concorrente) o diretor também é o responsável pelo script do filme. Essa façanha coube a Kenneth Lonergan, e é, por motivos lógicos, uma tendência que pode-se repetir cada vez mais, já que a ideia dificilmente se perderá com um diretor conduzindo seu próprio roteiro.

A história em sim traz um drama repleto de surpresas. Surpresas essas bem intensas e profundas, encaminhando o filme para um caminho denso, dramático e atrativo (por diversas vezes o espectador ficará chocado). Para auxiliar nesse processo a história não utiliza uma linha do tempo fixa, preferindo uma história alinear inspirada em um quebra-cabeça.

O problema do roteiro começa no meio do segundo arco dramático. Se no primeiro arco o ritmo é intenso, no segundo ele ganha uma velocidade morna, conduzindo o filme nessa tocada até o final. Claro que isso não estraga a trama, o problema maior é que uma parte da história em si é mais forte que a outra, gerando uma rachadura no centro dramático e um desequilíbrio evidente no lado emocional.

Quem segura as pontas do filme é o ator, também indicado ao Oscar, Casey Affleck. Assim como Natalie Portman em “Jackie”, Affleck ganhou um filme quase inteiro para si. Com uma boa quantidade de cenas dramáticas e bem pesadas, o ator Norte-americano não decepciona e carrega a trama nas costas. Sem duvida sua atuação de um personagem meio aéreo a toda confusão, além de toda personalidade problemática que Cassey dá ao seu personagem, merece elogios e, quem sabe, uma premiação ao Oscar (não será surpresa se ele ganhar).

Lucas Hedge, ator de 20 anos, também indicado ao Oscar, é quem mais interage com Affleck. A atuação de Hedge é segura e surpreendente, dando vida a um garoto que, no auge do ciclo escolar e hormonal, se vê rodeado por tragédias que nem adultos maduros conseguiriam lidar. Não é o caso para premia-lo, mas é bem interessante observar que a Academia está de olho em novos talentos valorizando a atuação e não o currículo.

Digo isso pois, “Manchester à beira mar” possui mais uma indicação. Michelle Williams dá vida à personagem Randi, uma mulher forte que participa dos arcos dramáticos mais intensos do filme. Porém, assim como o roteiro merece algumas críticas, essa indicação também não é justa. Michelle não decepciona ou atua mal, mas é nítido que ganhou atenção por conta da sua trajetória e não por conta desse trabalho de pouquíssimos minutos em cena. Esse lugar poderia ser muito bem preenchido por Janelle Monáe de “Estrelas além do tempo”.

Voltando ao filme, é válido destacar a trilha sonora de Lesley Barber. Responsável por trazer e sustentar boa parte da emoção desse trabalho, Barber utiliza recursos que variam do lírico suave para preencher as cenas, inclusive com algumas takes em que os diálogos são interrompidos e apenas a trilha se destaca, até a utilização do silêncio como recurso para enfatizar o drama.

Em suma, com alguns defeitos que prejudicam o time do filme, “Manchester à beira mar” ainda sim entrega um bom trabalho que envolvente e prende à atenção do espectador, tendo destaque em Casey Affleck e na parte inicial da trama. Vale o ingresso do cinema, mas merecia um tratamento no roteiro para que as respostas não fossem dadas com tanta pressa e preservasse o suspense da trama.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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