Home / Bastidores / Aquecimento para o Oscar: Figurino

Aquecimento para o Oscar: Figurino

O figurino é elemento importantíssimo na composição de um filme, é ele um dos principais responsáveis por pontuar três elementos indispensáveis para uma boa história: tempo, espaço e personagem. Podemos considerá-lo o primeiro “diálogo” não verbal com o espectador, não é a toa que esta é uma das categorias mais aguardadas do Oscar.

O tempo

Quando nos deparamos com um longa que se passa em outra década ou século conseguimos identificar, mesmo sem grandes conhecimentos em história da indumentária, de que se trata de um filme de época.

A pesquisa sobre os elementos desse período precisa ser impecável, nenhum detalhe sequer pode passar batido, talvez pelo grande investimento de tempo e dinheiro nesse aspecto, cada vez maiores produções cinematográficas “de época” tem ganhado espaço e prêmios. Como é o caso de “O Grande Gatsby” que venceu no ano passado com figurino de Catherine Martin, “Anna Karenina” em 2012, “O Artista” em 2011 e “Maria Antonieta” em 2006.

O espaço

É também por meio do figurino que conseguimos identificar o lugar de origem ou estadia do personagem, pode ser ele um espaço real como o deserto, uma pequena cidade na China, uma boate ou fantasioso como o País das Maravilhas e o Reino de Oz. É em parte, responsabilidade da roupa, penteado, maquiagem, definir em que local o filme se passa ou de onde determinado personagem veio.

Em “Alice no País das Maravilhas”, vencedor do Oscar de melhor figurino no ano de 2010, temos uma garota que acorda em um mundo paralelo repleto de fantasia, além do cenário (belíssimo) o figurino deixa claro que Alice não pertence aquele lugar, visto que ela é a única personagem caracterizada o mais próximo do que conhecemos por “normal”, ela então se destaca dos demais e chama a atenção dos outros personagens por onde passa. Além disso, conseguimos logo identificar a aura de sonho e fantasia pela composição exagerada, repleta de cores, formas e texturas,  somados a maquiagem tão particular e marcante desse longa.

Em resumo, a caracterização do personagem baseada no espaço é o que diferencia o “forasteiro”.

O personagem

Talvez o grande desafio dos figurinistas seja imprimir em imagem a personalidade de cada personagem da trama, é a maneira de agir, de pensar, de ser, que somadas ao tempo e espaço vão construir pouco a pouco o protagonista.

É aí que a mágica acontece, o ator deixa de ser o ator, uma simples peça de roupa ganha significado. Terno bem cortado, alinhado e sapatos impecáveis caracteriza um homem ou mulher com sucesso profissional, presidente de alguma grande empresa, alguém de certa forma inabalável, postura que se traduz no cabelo quase sem movimento, intocável, mesmo no caso das mulheres.

Uso excessivo de cinza pode demonstrar um personagem apático, depressivo ou frio. Personagens com roupas com cores doces e fluídas são personagens românticos, sonhadores e apaixonados.

Por fim, a lógica parece clichê, tal qual vampiros usam preto e jovens rebeldes usam jaqueta de couro, mas quando o assunto é um personagem bem estruturado, cheio de personalidade, a história é outra e o desafio dado aos figurinistas se torna destaque nas telonas e acaba nos conquistando, talvez por isso tantos filmes tenham figurinos tão marcantes, o que falar de Bonequinha de Luxo, Blade Runner e Os Embalos de Sábado a Noite?

Os últimos vencedores do Oscar de Melhor Figurino:

2013 – O Grande Gatsby por Catherine Martin

2012 – Anna Karenina por Jacqueline Duran

2011 -O Artista por Mark Bridges

2010 – Alice no País das Maravilhas por Colleen Atwood

2009 – The Young Victoria por Sandy Powell

Os indicados ao Oscar de Melhor Figurino:

O Grande Hotel Budapeste por Milena Canonero

Vício Inerente por Mark Bridges

Caminhos da Floresta por Colleen Atwood

Malévola por Anna B. Sheppard e Jane Clive

Sr. Turner por Jacqueline Durran

Opinião:

Minha torcida fica dividida entre “Grande Hotel Budapeste” e “Caminhos da Floresta”.  Em “Caminhos da Floresta”, o cenário de fantasia ganha vida com o figurino “encantado” de Colleen Atwood, que já levou o Oscar por “Alice no País das Maravilhas”,  a tal receita para o sucesso de Colleen não mudou muito, conseguimos identificar uma série de semelhanças entre os dois filmes, a riqueza de detalhes no figurino é digna de prêmio, o desafio era emprestar uma nova imagem aos clássicos que conhecemos e pelo menos ao meu ver, ela conseguiu.

Já Grande Hotel Budapeste me conquista por uma série de fatores, Milena já levou o Oscar pelos filmes “Maria Antonieta”, “O Iluminado” e “Laranja Mecânica”, a figurinista trabalha os detalhes como ninguém, cada pequeno acessório, cor, listra importam, além disso ela consegue criar um belo contraste entre os uniformes dos funcionários do hotel e as roupas luxuosíssimas. Se eu tivesse que apostar em alguém, apostaria em Milena Canonero.

Comentários

comentários

About Letícia Loureiro

Apaixonada pela terra da garoa, descobriu ainda cedo que queria fazer moda e correu atrás. aprendeu muito. Resolveu criar um cantinho pra falar de tudo que adora: filmes, fotografia, beleza e moda chamado Na Garupa da Vespa

Leave a Reply

Your email address will not be published.